- Como tu pode ter certeza que é ela!? Como tu sabe que é ela o amor da tua vida?! - Eu indaguei gesticulando.
- Sabendo. Não sei como, mas eu sei. - Ele me respondeu calmo tomando mais um gole de coca.
- Meu! Tu nunca tocou nela, nunca beijou ela! Como tu pode amar alguém sem saber se o beijo é bom!? - Eu quase gritei indignada com a situação.
- Tu nunca vai entender. - Ele falou tocando meu ombro, tentando me acalmar. - Tu não vai entender se nunca sentiu o que eu senti quando olhei pra ela. - Ele falou suspirando.
- E o que você sentiu? - Perguntei irritada.
Ele olhou pra mim e sorriu de leve antes de começar a falar: - Eu olhei pra ela e na hora um arrepio subiu pela minha espinha. Ela brilhava, reluzia uma luz tão forte e linda, que me cegou e eu não pude ver mais nada além dela. Eu tinha meu próprio sol, que desse momento em diante aqueceria meus dias frios e nublados. Ela se tornou meu norte, minha certeza de que a vida pode ser boa mesmo sendo como é. Hoje Mariá, eu posso dizer que toda e qualquer dor que já senti antes é nada perto do que ela me proporciona só por existir. E eu sei! Eu sei que não a senti, não a beijei ainda, mas a certeza de que aquela criatura não pode, e deus não permitiria isso, fazer nada que não seja bom, é muito maior. Tu não entende que o contato físico vai ser apenas um detalhe nessa história? É amor. - Ele terminou de forma treatal. - Tu já sentiu isso Mariá?
Eu me recostei na cadeira boquiaberta e falei baixinho. - Já, eu já senti tudo isso.
- Já? - Ele perguntou sem entender.
- É, já sim. Mas foi a tanto tempo... - Sussurrei distante.
-Então tu entende né? Tu sabe o que é ter alguém por quem ser melhor, alguém pra ser sua vida? - Ele falou empolgado.
- Sei. Uma vez, a alguns anos. - Parei. - Uma vez eu vivi por alguém. Hoje em dia...morri. - Sorri amarelo. Eu sabia bem sobre o que ele estava falando.

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