Eu chorei compulsivamente por alguns minutos, longos minutos. Sinceramente eu não sabia por que chorava, eu só senti aquele nó incômodo na garganta e não tive a mínima vontade de engoli-lo de volta. Botei a culpa em uma, duas ou até três pessoas enquanto me desidratava chorando, mas não, a culpa não é de ninguém, a culpa não é nem minha.Quando tudo aquilo cessou, fui pro banho e um pouco mais calma fui capaz de perceber que era tudo igual à antes, tudo. Mas dessa vez eu parecia mais vulnerável, com maiores tendências para sofrer por aquilo tudo. É fim de ano e todo fim de ano é assim. Se bem que esse esta bem mais tranqüilo que os últimos, eu não tenho nada a perder e todos os motivos pra arriscar.
Os últimos inícios de ano tem sido difíceis, até onde posso me lembrar. Difíceis, confusos e incertos. Deve ser a pressão que me cai sobre os ombros a cada passar de ano. " O que você tem, o que você fez na/da vida? Tu já tem 22 anos Mariá, já está passando da hora." Peraí, da hora de que mesmo? Eu tenho e fiz muito nessa minha vidinha, pode ter certeza disso. Não que a maioria vá dar um algum valor para minhas conquistas, mas são minhas e à mim valem muito. Ai que tá, o que eu devia ter na vida aos 22 anos para que valesse algo? O que se quer quando a pergunta " O que você fez da vida?" é feita, na verdade é, " O quanto você tem deixado de ser você para agradar os outros, manter um status inútil e ser infeliz?" Bom, eu não tenho feito nada, ou quase nada, em relação a isso. Mas pode ter certeza, o quase nada, já me dá dor de cabeça o suficiente, eu queria mesmo era fazer NADA, de NADA. Impossível descrever a admiração que tenho pelos corajosos que largam...
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