Eu tenho medo de ouvir o que as pessoas teem a me dizer, tenho medo de sair de casa, tenho medo de ligar a televisão e ver uma notícia ruim, tenho medo de entrar na internet e ver o que não quero, tenho medo que chova demais, que faça sol demais. Tenho medo de descobrir a verdade sobre as pessoas, sobre o que elas fizeram e não me contaram, sobre o que elas me escondem por bem ou mal. Tenho medo de descobrir que as pessoas que amo não sejam como eu penso que são. Eu tenho medo de falar demais e de não falar tudo que preciso.
Eu tenho medo. Mas isso não é como das outras vezes, é pior, é sufocante desta vez. Eu tenho medo de falhar de novo. Eu tenho medo de na hora H ter medo. De afastar todos de mim, de criar um abismo de léguas entre mundo real e meu pensamento. Medo de beber toda uma oportunidade e depois vomitar a responsabilidade. Eu tenho medo de machucar, de ferir, de fazer chorar, de ignorar o que não se ignora, de ver mais do que gostaria e saber mais do que devia. A boa e velha Mariá não tinha medo, boa e velha Mariá não tinha nada. A Mariá de agora não tem nada a dizer, ela nunca tem.
Mas vai passar, vai passar. E eu tenho medo de que passe.

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