Eu tava lá sentada em um muro qualquer. Tinha um copo ao meu lado e umas pessoas ao redor de mim. Não lembro o que era dito e a normalidade não nos afetava naquela hora. O momento não era bom, o momento era estranho, parecia não caber em mim.
- Nós somos iguais mãezinha!
Ouvi uma voz atrás de mim, gritando nossas semelhanças.
- Nós somos iguais!! Nós somos iguais!! – Ela gritou.
- Não somos não. –Eu protestei no mesmo tom. Com um Q de brincadeira.
Ela se aproximou de mim, abaixou-se na minha frente e botou as duas mãos nas minhas pernas e já alta ela começou a falar mansa.
- Mãezinha, tu ta bem?
- To sim. – Eu falei
- Tu sabe ne, nos somos iguais.
- Não, não. Nós não somos iguais. – Eu protestei. – Nós podemos ter algumas coisas parecidas, mas não somos iguais não.
- Ta, pode ser isso então. – Ela se rendeu ao meu argumento.
Sorrimos uma pra outra. Um momento de silencio.
- Te teve nas mãos né mãezinha? Teve a maior galinha nas mãos e não deu valor.
Eu sorri amarelo.
-Não é bem assim. – Tentei amenizar.
- Te teve nas mãos e não soube o que fazer.
Eu assenti sorrindo de canto, começando a sentir um nó na garganta, um pouco transtornada com aquela informação que pareceu ser cada vez mais real. Era real.
- Ou não quis saber. – Finalizei. Tensão no ar.
- Tu tem ceva ae? Vo lá buscar.
Ela levantou e foi buscar mais uma cerveja. Mais uma cerveja.

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