Botei a pequena mão de 16cm contra o sol forte e atípico daquele dia de julho, alias, domingo de julho. A mão ficou vermelha, quase como num raio x, era capaz de perceber a silhueta dos pequenos ossos de meus dedos. Senti o sangue pulsar entre as veias que percorriam minha mão, mais alguns segundos de atenção e ouvi o coração saltando no peito.
“Esse negócio ta me deixando maluca.” Pensei comigo, com o resto de sanidade que me restava. Os sentindo completamente alterados, visão, audição, tato, todos muito mais aguçados do que o normal. Aproveitá-los-ei na medida em que minha crescente agitação permitir.
Tirar a mão daquela posição inicial foi um sacrilégio, as cores todas tão bonitas, tão vibrantes, todas aquelas pessoas que não existiam que estavam a minha volta falando coisas as quais eu não podia entender. Aquele momento único e prazeroso precisava acabar. Sentei enfim. Pés descalços na grama quente. Algumas formigas fazendo coisas estranhas naquela grama. Cada tentativa de respirar era como um suspiro derradeiro. A pele dos braços arrepiada, os pelos dançando conforme do vento pedia. Eu queria entender, mas agora não dá. Agora eu preciso sentir cada centímetro do meu corpo sob efeito trabalhando para me manter viva.
Sim, eu estou viva. Mais um suspiro derradeiro, mais uma vez encho de ar meus pulmões jovens e sofredores e sinto tremer meu peito. Fecho os olhos, vento na cara, sol na nuca. Eu quero deitar na grama. Deitei. Eu quero dormir. Não posso.
Mas está tudo Ben, tudo muito Ben.

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