- Continua indo a aquele grupo de leitura nas quintas?

- Ás vezes. Alguns livros antigos não me interessam mais, estou lendo algumas coisas novas.

- Ué. Não era você que dizia que literatura só era literatura até a década de 90?

- É. Mas tenho mudado de idéia ultimamente, sobre muitas coisas.

- Isso significa?

- Precisa significar algo?

- Eu não sei, só achei que você mudando assim de idéia sobre algo tão grande em sua vida, pudesse mudar de opinião sobre outras.

- Não estou revendo conceitos, só estou mudando de idéia. Eu posso não é?

- Pode. Me desculpe, não quis irrita-la.

- Você não me irrita. Eu que preciso me desculpar, tenho sido estúpida e grossa com você.

- Eu tenho sido insistente, eu sei. Mas é que eu não sei estar se não estiver ao teu lado.

- Tu sabe que isso acabou né? Quer dizer, um dia vai precisar entender que não tem mais volta, que por mais que o passado tenha sido glorioso e haja um sentimento enorme, não existe forma de voltar atrás.

- Eu tento assimilar isso todos os dias desde então.

- Ninguém me conhece tão bem quanto você.

- Eu não conheço ninguém tão bem quanto conheço você.

- Você quer jantar lá em casa amanha?

- Não sei se deveria...

- Eu faço carbonara.

- Ok, me ganhou. Mas quem vai?

- Só eu e você.

- Não. Não quero comer carbonara só com você naquele apartamento, com seu cachorro lá, com suas coisas lá do mesmo jeito que estavam quando eu sai.

- É o nosso cachorro. E as coisas não estão iguais. Eu vendi a velha poltrona preta...

- Como teve coragem?!

- Eu sempre odiei aquela poltrona, você sabe. Não fique bravo por isso.

- Agora eu vejo, acabou de verdade.

- É sou uma poltrona.

- Não, era a minha poltrona. Você não me quer mais em sua sala.

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