São três da manhã. Toda vez que alguém me liga a essa hora eu acho que tem algo a ver com demo, sei lá né. Maldita cultura popular da qual todos somos meio escravos.
Tá, não era o demo me ligando, mas os efeitos seriam quase os mesmos.
- Eu não acredito. - Foi tudo que pude dizer completamente desnorteada com "Uncle fucker" tocando a toda no meu ouvido.
Atendi.
- Mariá?
- Ahmm.
- Desculpa te acordar tá?
- Ahmm
- Fala comigo.
- O que tu quer ouvir?
- Não sei.. - Um suspiro do outro lado da linha.
- Tu tá bem? - Perguntei retomando a consciência.
- Não na verdade. - Resmungando
- Pronto. Sabia.
- Para de ser tão insensível, tão egoísta!
- Ei! Para ai! Tu não me ligo as três da manhã pra xingar né!?
- Não. Liguei pra ver se me sentia melhor, mas parece que tu não quer me ajudar nisso.
- Nem vem! Não começa a botar a culpa de sei lá o que que tá acontecendo contigo, em mim! Nem vem!
- Tu não sabe a merda que tá isso aqui. - Reclamou
- Não, eu não sei. Eu se quer sei no que tu se tornou nos últimos tempos. Eu nem sei onde e como você esteve nos últimos 2 meses. Nenhum telefonema, nenhuma mensagem, nenhum sinal de fumaça vindo de você. Eu fiquei aqui sem poder ligar, sem saber o que estava acontecendo. Agora, não me venha em uma madrugada qualquer requerer seus direito de volta. Não mesmo.
- Desculpa.
- Cansei das suas desculpas. Cansei disso. Me ligue quando souber o que quer. Boa noite.
Desliguei.
Eu preciso de agradecer por ser a fonte da minha insônia. Obrigada.
Cinco minutos revirando-me na cama e uma mensagem;
" Obg por m ouvir, obg por m fazr chorar. d novo."
Ahh! E obrigada por sua incrível capacidade de me fazer sentir culpada, sempre.
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