Dificilmente alguém voltará a ver o que se viu naquela madrugada quente de primavera. O céu vermelho sangue, o chão vermelho de sangue.
Não há nada audível, nenhum tipo de som foi perceptível, nem os gritos, nem as vozes, nem os metais rangendo ou os tecidos rasgando. Exceto a própria respiração ofegante, acelerada.                     
A mente com raciocínio acelerado, os músculos tonificados repentinamente e preparados para usar de força ou agilidade. Adrenalina. Adrenalina no limite do suportável. Adrenalina de mais, desespero de mais. Desespero. Esse foi o tom daquela madrugada, a pitada final de uma noite perfeita. Fechar os olhos era impossível, pensar era impossível. O que se pensa quando se vê a frente tudo que se pediu pra nunca ver? Em nada. No nada.
Nada, nunca vai ser se quer parecido com aquela madrugada de primavera. Nunca mais alguém verá algo como aquela madrugada.

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