Hoje fiz a feliz escolha de voltar para casa caminhando.
Durante a meia hora da tarde em que a chuva deu uma trégua, eu caminhei pra casa lentamente.
Logo no início alguns grandes pingos de chuva, eu contei 28 passos com a mão estendida a frente, sem que nenhum desses pingos atingissem-na. Até que ela parou de fato. Depois disso feito mágica, feito ying yang, uma parte do céu se fez clara, de sol e outra parte tomada por nuvens negras de tempestade, fez-se escura. Eu fiquei ali, meio abobada sorrindo para o céu parada no meio fio.
Rapidamente, a parte mais clara foi ficando cada vez mais clara, enquanto a escura fazia o inverso na mesma intensidade. Por ironia da vida, por coincidência ou seja lá por qual motivo, o meu rumo, o caminho que eu precisava seguir para chegar em casa era o da tempestade. Sem perceber de início, eu segui meu caminho, olhando sempre pra trás, ainda sorrindo para o sol que se atrevia atrás de mim.
Caminhei até em casa, e aqui do alto onde quase tudo se vê da cidade e do tempo, a paisagem ficou ainda mais bonita, ainda mais surreal aquela mistura, aquela harmonia perfeita entre opostos no mesmo céu de setembro.
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