O mais difícil nem foi ser deixada nos final das contas. O pior nem foi olhar meu reflexo no espelho e não ver o seu ao lado. O difícil mesmo, a parte insuportável desse começo de fim foi o silêncio. O silêncio fazia um barulho insuportável sem você.
De alguma forma, aquele barulho desconexo que você chama de música, agora me faz uma falta mortal.
Eu reclamei estupidamente nos últimos 2 meses de como você dobrava as camisetas. "Não é assim que se faz. É assim." E lá ia eu redobra-las uma por uma. Você ria e ia tomar mais uma xícara de chá. Também nunca entendi sua repulsa por café. Um tipo de gosto inaceitável, eu sempre disse.
- Seis meses. - Você disse com a cabeça escorada em minhas costas, enquanto eu arqueada para frente lia o jornal do dia.
- Oi amor? - Desatenta.
- Seis meses. Hoje nós fazemos seis meses juntos. - Com um suspiro.
- Sério? - Eu me endireitei e te encarei surpresa.
- Parabéns. - Você disse sorrindo de canto enquanto passava os dedos entre meus fios de cabelo desgrenhados.
Eu sorri apenas.
Depois disso, uma ou duas horas depois disso fez o silêncio. Algumas xícaras com chá frio pela metade, o cheiro do perfume nas cortinas e o silêncio. E só.

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