Da série: " Olha o que eu achei nos meus blogs/cadernos velhos."

- Eu não sei por que tu sempre me traz aqui. - Comentei impaciente.
- Por que eu gosto daqui, é calmo e não tem ninguém. - Sorriu gigante pra mim.
Eu começava a questionar aquele sentimento crescente e revoltado dentro de mim. Me senti incomodada em sentir aquilo pela figura a minha frente. O jeito de ajeitar a gola da blusa, o jeito como passa o dedo sobre a sobrancelha para ajeita-la, sendo que ela já está mais do que ajeitada. O jeito que chama minha atenção para si, o jeito como diz que é a melhor coisa que eu poderia ter na vida naquele momento e pra sempre.
Eu sempre riu nessa hora e questiono; " Pra sempre?" Pra sempre é muito tempo.
- O teu pra sempre é até o fim do ano. - Eu retrucava ironizando.
- O meu pra sempre contigo, é pra sempre de sempre. - Falava firme.
Sorria bufando. Aquilo me irritava, sempre me irritou essa tentativa de me fazer parecer importante, insubstituível pra ti. Eu sou só mais alguém, mais alguém pra ti esquecer depois.
Eu nunca gostei do 'depois' contigo, sério. Ele sempre me apavorava, sempre quis você dormindo, sem falar, sem mencionar coisa alguma. Sempre quis te mandar calar a boca e fugir dali com as roupas na mão.
- Eu não vou me sentir assim com mais ninguém nesse mundo.
- Como? Aos pedaços se você não calar a boca agora?
- Quanta delicadeza. - Um beijo no queixo. - Amo isso em ti.
- Tu me irrita.
- Eu sei. - Virou de lado e me abraçou firme. - Quando tudo isso acabar tu vai perceber o quanto me ama.
- Eu não te amo.
E amo? Ou amei? Sabe-se lá.


Eu o editei, obviamente. Suspeito que tenha sido escrito em meados de 2009 sobre alguém de um passado mais distante ainda.

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