Daria qualquer coisa para fazer aquilo não ser real, pra não sentir aquilo tudo na pele, na alma.
Apertei os punhos dentro dos bolsos do casaco, apertei até fazer os dedos doerem. Eu só não podia demonstrar, só não podia deixar transparecer ao resto do mundo, que o meu mundo estava ruindo.
Tudo ao meu redor desacelerou, tomou seu próprio tempo e espaço. A vida começou a girar devagar até parar.
Quando voltou a girar, eu parecia estar no lugar errado, no corpo errado. Eu era uma estranha no meio dos meus.
Não devia, mas senti pela primeira vez desde que passei a amar cada um deles ali por seus defeitos e estranhesas, que eu não servia naquele mundo, que eu precisava estar em qualquer outro lugar do mundo, menos ali. Eu os odiei por segundos.
Um abraço acordou-me, uma apertão me fez voltar a realidade, um beijo sincero esbofeteou-me. Eu estava onde deveria estar e com quem deveria estar.
Eu os amo, mas as vezes preciso experimentar outros sentimentos em relação a eles. Tudo volta mais intenso depois disso, mais amor, mais sincero.

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