Ela pareceu ter parado de respirar. Fixou aqueles profundos olhos cinzas em algo atrás de mim e transportou-se para lá no mesmo instante. Ela estava lá, mas não estava.
Admirei cada traço de um rosto sem vida, sem expressão, antes de cutuca-la fazendo-a voltar a realidade. E também não olhei pra trás pra saber o que lhe prendia a atenção, preferi acompanhar a dilatação de sua pupila, a única coisa que demonstrava haver vida naquele corpo.
- Ei. - Eu a cutuquei. - Ei?
- Hum? - Ela voltou a vida aos solavancos. - Tu viu aquele cara lá? - Falou apontando para alguém atrás de mim.
- Não vi. - Lhe respondi.
- Então olha. - Ordenou.
- Não quero. O que tem de mais? - Desdenhei.
Ela me encarou com a expressão firme e me deu as costas emburrada.

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