Ele mexeu no prato de comida por alguns instantes antes de se aventurar a botar a primeira garfada na boca. Quando o fez, não conseguiu mastigar. Manteve a comida na boca por um tempo antes de engolir com dificuldade.
Nesse momento ela precipitou-se cozinha a dentro. Semi-nua. Um shortinho que não lhe cobria se quer a polpa das nádegas e sem nada para lhe cobrir os seios. Vinha arrastando-se, grunhindo enquanto passava a mão sobre o rosto borrado de maquiagem. Ele apertou os olhos e desviou o rosto dela, a brancura quase transparente de seus corpo incomodava seus olhos aquela hora. A hora, era quase seis da tarde, o tic toc do relógio insistia em dizer para ele que ele estava atrasado. Alias, nem atrasado estava, estava ferrado mesmo.
- Por que ta comendo isso ai frio? - Ela indagou escorada na porta da geladeira aberta.
- Eu bebi ontem. - Ele respondeu com dificuldade.
Ela pegou uma garrafa de água e entornou.
- E dai? - Insistiu.
- Eu bebi o gás ontem, eu bebi a prestação do carro, fodi o aluguel e cherei o teu presente de aniversário. - Ele enumerou categoricamente e afastou o prato da sua frente. Baixou a cabeça e deitou na mesa.
Ela escorada na geladeira limpou a boca e assentiu.
- Parece que tu vai ter que trabalhar um pouco mais esse mês então.- Falou e começou a fazer o caminho de volta para a sala.
- Eu não trabalho. - Ele resmungou.
- Então vai ter que começar a trabalhar. - Ela gritou já longe dali.
Ela sempre admirou ele, ele sempre foi uma espécie de deus pra ela. O cara intocável, o cara que sabia tudo, que tinha resposta pra tudo, que entendia de tudo. O problema era a bebida, a farra, as drogas, ele nunca conseguiu se afastar disso, por mais que tentasse. Ele era outra pessoa sem isso, era alienado, burro, sem graça, broxante. O único cara que ela conheceu na vida que se drogava de si mesmo. Um jovem apaixonado, louco, entusiasta de uma vida desregrada, mas ao mesmo tempo cheia de paradigmas.
Um homem alto, moreno, de cabelos muito pretos e bagunçados. Os ombros largos, o peito firme e a barba por fazer.
Ele nunca entendeu como ela não conseguia importar-se com coisa alguma. O mundo caindo ao seu redor e ela dizia que precisava terminar de reler aquele capitulo de "Crime e Castigo" primeiro, depois ia ver o que fazer. Ela era uma deusa nua pra ele. Nua por que era mais difícil vestir um pato do que aquela mulher, sempre usando pouca roupa ou roupa alguma. Sempre nua e praticando. Ele a considerava uma ninfo, ela dizia que só gostava da coisa. Ele nunca conheceu na vida alguém mais tranqüila e ao mesmo tempo mais ardente do que ela. Não a vistam ou a deixem sem sexo, ela fica insuportável.
Longos cabelos ruivos, muito lisos. A tatuagem que começava na nádega esquerda e alcança o dedão do pé. As sardas no rosto, os olhos verdes.
Nesse momento ela precipitou-se cozinha a dentro. Semi-nua. Um shortinho que não lhe cobria se quer a polpa das nádegas e sem nada para lhe cobrir os seios. Vinha arrastando-se, grunhindo enquanto passava a mão sobre o rosto borrado de maquiagem. Ele apertou os olhos e desviou o rosto dela, a brancura quase transparente de seus corpo incomodava seus olhos aquela hora. A hora, era quase seis da tarde, o tic toc do relógio insistia em dizer para ele que ele estava atrasado. Alias, nem atrasado estava, estava ferrado mesmo.
- Por que ta comendo isso ai frio? - Ela indagou escorada na porta da geladeira aberta.
- Eu bebi ontem. - Ele respondeu com dificuldade.
Ela pegou uma garrafa de água e entornou.
- E dai? - Insistiu.
- Eu bebi o gás ontem, eu bebi a prestação do carro, fodi o aluguel e cherei o teu presente de aniversário. - Ele enumerou categoricamente e afastou o prato da sua frente. Baixou a cabeça e deitou na mesa.
Ela escorada na geladeira limpou a boca e assentiu.
- Parece que tu vai ter que trabalhar um pouco mais esse mês então.- Falou e começou a fazer o caminho de volta para a sala.
- Eu não trabalho. - Ele resmungou.
- Então vai ter que começar a trabalhar. - Ela gritou já longe dali.
Ela sempre admirou ele, ele sempre foi uma espécie de deus pra ela. O cara intocável, o cara que sabia tudo, que tinha resposta pra tudo, que entendia de tudo. O problema era a bebida, a farra, as drogas, ele nunca conseguiu se afastar disso, por mais que tentasse. Ele era outra pessoa sem isso, era alienado, burro, sem graça, broxante. O único cara que ela conheceu na vida que se drogava de si mesmo. Um jovem apaixonado, louco, entusiasta de uma vida desregrada, mas ao mesmo tempo cheia de paradigmas.
Um homem alto, moreno, de cabelos muito pretos e bagunçados. Os ombros largos, o peito firme e a barba por fazer.
Ele nunca entendeu como ela não conseguia importar-se com coisa alguma. O mundo caindo ao seu redor e ela dizia que precisava terminar de reler aquele capitulo de "Crime e Castigo" primeiro, depois ia ver o que fazer. Ela era uma deusa nua pra ele. Nua por que era mais difícil vestir um pato do que aquela mulher, sempre usando pouca roupa ou roupa alguma. Sempre nua e praticando. Ele a considerava uma ninfo, ela dizia que só gostava da coisa. Ele nunca conheceu na vida alguém mais tranqüila e ao mesmo tempo mais ardente do que ela. Não a vistam ou a deixem sem sexo, ela fica insuportável.
Longos cabelos ruivos, muito lisos. A tatuagem que começava na nádega esquerda e alcança o dedão do pé. As sardas no rosto, os olhos verdes.
Comentários
A última coisa que eu quero é te irritar, e ser ignorada. Mas né.