Eu não formato meus textos como não formato minha vida. Não há tempo para correções, para refrasear, para alterar acentuações e pontuações. Eu não corrijo como também não apago. Não há como recomeçar uma vida, ou apagar um trecho do que se viveu. Não dá pra reformular a citação de algum personagem, não dá pra fazer parar de sentir, não dá pra recomeçar. Quando um texto me parece, a meio caminho de sua término ou depois dele, que não diz tudo que eu queria dizer, que não retrata o momento que eu queria passar, que é insuficiente eu simplesmente o deixo de lado e começo um outro. E a vida também é assim. Penso. Não há como apagar.
Os últimos inícios de ano tem sido difíceis, até onde posso me lembrar. Difíceis, confusos e incertos. Deve ser a pressão que me cai sobre os ombros a cada passar de ano. " O que você tem, o que você fez na/da vida? Tu já tem 22 anos Mariá, já está passando da hora." Peraí, da hora de que mesmo? Eu tenho e fiz muito nessa minha vidinha, pode ter certeza disso. Não que a maioria vá dar um algum valor para minhas conquistas, mas são minhas e à mim valem muito. Ai que tá, o que eu devia ter na vida aos 22 anos para que valesse algo? O que se quer quando a pergunta " O que você fez da vida?" é feita, na verdade é, " O quanto você tem deixado de ser você para agradar os outros, manter um status inútil e ser infeliz?" Bom, eu não tenho feito nada, ou quase nada, em relação a isso. Mas pode ter certeza, o quase nada, já me dá dor de cabeça o suficiente, eu queria mesmo era fazer NADA, de NADA. Impossível descrever a admiração que tenho pelos corajosos que largam...
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