Cada vez que me passa pela cabeça a idéia de que eu vá me tornar uma tiazona amargurada e infeliz, segurando um copo de whisky em uma mão e um cachimbo na outra; eu acabo ficando feliz pelo copo de whisky.
Essa imagem decadente e infeliz não é pra daqui algumas décadas, essa imagem é pra daqui alguns dias. É para um futuro muito próximo, um futuro que se aproxima a passos largos cada vez que me nego a entregar-me, cada vez que me nego possibilidade de amar. Eu já posso sentir o amargor em minha boca, eu já posso sentir o amargor em minha vida, esse que vem aos poucos tomando conta de tudo.
Mas sabe, em mim não há medo do amargor, da solidão, da vida infeliz, ao menos terei do que reclamar. O que me mete medo de verdade, o que me apavora todas as noites antes de fechar os olhos é que o whisky acabe, medo de que o whisky acabe e eu volte a ficar sóbria o suficiente para chorar por tudo isso.

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