É preciso trabalhar. E o trabalho que menciono aqui não é tão somente o que nos sustenta financeiramente, falo de todo tipo de atividade necessária para se conseguir algo, qualquer esforço para se conseguir o que queremos. Eu tenho trabalhado por variados motivos, e vocês também, creio eu. Trabalho pra botar comida na mesa, trabalho pra botar whisky no copo, trabalho pra manter o corpo em forma, trabalho pra manter a mente alimentada de todos tipo de conhecimento de que tenho alcance, trabalho por companhia na cama, trabalho por relacionamentos, de todos os tipos, sinceros. No fim do dia de uma quarta-feira em que eu preferi estar dormindo em 90% do tempo, eu chego em casa exausta, dolorida, com uma leve dor de cabeça, me livro das roupas e me deito suspirando forte. Pronto. Pronto? Foi pra isso pelo que eu esperei o dia todo, uma cama vazia e a solidão? Não, definitivamente não. O dia acabou, mas a noite ainda nem começou. Vou trabalhar por isso. Não importa o quanto você faça, sempre precisará fazer mais. Não importa o quanto você esteja cansada no final do dia, amanhã haverá outro dia para se trabalhar por que no final das contas o que vale mesmo são os meios e não o fim em si.
Os últimos inícios de ano tem sido difíceis, até onde posso me lembrar. Difíceis, confusos e incertos. Deve ser a pressão que me cai sobre os ombros a cada passar de ano. " O que você tem, o que você fez na/da vida? Tu já tem 22 anos Mariá, já está passando da hora." Peraí, da hora de que mesmo? Eu tenho e fiz muito nessa minha vidinha, pode ter certeza disso. Não que a maioria vá dar um algum valor para minhas conquistas, mas são minhas e à mim valem muito. Ai que tá, o que eu devia ter na vida aos 22 anos para que valesse algo? O que se quer quando a pergunta " O que você fez da vida?" é feita, na verdade é, " O quanto você tem deixado de ser você para agradar os outros, manter um status inútil e ser infeliz?" Bom, eu não tenho feito nada, ou quase nada, em relação a isso. Mas pode ter certeza, o quase nada, já me dá dor de cabeça o suficiente, eu queria mesmo era fazer NADA, de NADA. Impossível descrever a admiração que tenho pelos corajosos que largam...
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