Eu não quero sair na rua evitando as pessoas, não quero ter que entrar no restaurante mais vazio, não quero sentir, quase, repulsa quando estou em um aglomerado de gente desconhecida. Eu não quero me sentir indiferente ao resto do mundo. Mas me diga? Qual é minha outra opção? Como não sentir-se assim quando o mundo ao seu redor sente-se diferente de ti? Algo não se encaixa, eu ou o resto do mundo. A probabilidade de ser eu um ser estranho no meio de bilhões de pessoas que acharam seu lugar no terra pode ser muito maior, mas e se os estranhos no ninho forem vocês? E se quem está errado nessa história toda não sou eu? Difícil conceber uma ideia dessa, mas o fato de todos pensarem de uma forma, não quer dizer que esta é a forma certa de se pensar. Talvez ainda, e muito mais provável, seja o fato de que eu esteja um pouco intolerante ao resto dos macacos falantes, que tem como maior o problema o dom da fala.
Os últimos inícios de ano tem sido difíceis, até onde posso me lembrar. Difíceis, confusos e incertos. Deve ser a pressão que me cai sobre os ombros a cada passar de ano. " O que você tem, o que você fez na/da vida? Tu já tem 22 anos Mariá, já está passando da hora." Peraí, da hora de que mesmo? Eu tenho e fiz muito nessa minha vidinha, pode ter certeza disso. Não que a maioria vá dar um algum valor para minhas conquistas, mas são minhas e à mim valem muito. Ai que tá, o que eu devia ter na vida aos 22 anos para que valesse algo? O que se quer quando a pergunta " O que você fez da vida?" é feita, na verdade é, " O quanto você tem deixado de ser você para agradar os outros, manter um status inútil e ser infeliz?" Bom, eu não tenho feito nada, ou quase nada, em relação a isso. Mas pode ter certeza, o quase nada, já me dá dor de cabeça o suficiente, eu queria mesmo era fazer NADA, de NADA. Impossível descrever a admiração que tenho pelos corajosos que largam...
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