Já haviam se passado 2 horas, pelas suas contas, e desde aquele primeiro momento não tinha movido um só músculo. As costas começavam a doer. Tomou coragem para levantar-se do seu trono de insegurança e o fez de uma vez só. Caminhou até a cozinha, pegou um copo na cristaleira e a garrafa de conhaque no armário, serviu uma dose e bebeu de uma vez só, serviu mais uma generosa dose e fez o caminho de volta para a sala, sentou-se. Adorava sentir a queimação causada pelo conhaque descendo até seu estomago sempre vazio.
Estava na hora, não podia atrasar-se. Vestiu o casaco e o cachecol e saiu porta a fora. Desceu a ladeira enquanto o vento lhe empurrava e em seu andar rápido não demorou a chegar no lugar marcado.
Chegou em frente a velha casa em estilo gótico e sem cerimônias foi entrando
- Olá? - Disse anunciando sua presença.
- Entra. Estou na sala. - Uma voz avisou ao longe.
Caminhou até a sala, fazendo aquele trajeto já tão conhecido.
- Oi querida. - Seu anfitrião levantou para lhe abraçar. - Sente-se
- Oi meu velho. - Abraçou-o e sentou na poltrona a sua frente.
- Como sempre ele está atrasado. Aceita um café enquanto espera? - Ofereceu apontando a bandeja em cima da mesa de centro.
- Não meu velho, acabei de tomar umas doses de conhaque. - Respondeu olhando para a sala em que estava.
Quantas lembranças tinha daquela sala, em cada canto, em cada metro quadrado daquela carpete verde escuro tinha um livro de histórias, infantis, juvenis e também proibidas para menores de idade. Nada havia mudado desde que podia lembrar, o vaso no criado mudo ao lado da grande poltrona ainda estava com a boca lascada, ainda podia se ver o pedaço queimado do tapete, as cortinas eram as mesmas, as almofadas, o cheiro, tudo.
- Então. Adianta-me o assunto que te fez convocar essa reuniãozinha de velhos amigos?
- O encontro de velhos amigos não é motivo o suficiente, querida?- Ele indagou com uma das sobrancelhas arqueadas.
- Nesse caso não, meu velho. - Ela falou inclinando-se pra frente em direção a ele. Pigarreou. - Eu posso fumar aqui?
- Ainda cultiva esse hábito terrível?
- É o que parece.
- Pode sim. - Ele falou suspirando.
Ela tirou do bolso uma carteira de cigarros e um isqueiro metálico e acendeu um cigarro. Ele lhe alcançou o cinzeiro.
Permaneceram em silêncio por longos minutos, sabiam que não era necessário nenhum tipo de conversa para preencher o tempo, a companhia um do outro era o suficiente.
- Tu terminaste teu livro? - Ela perguntou curiosa apagando o cigarro.
- Qual deles?
- Aquele, sobre a ditadura e essas coisas?
- Ah. Sim, terminei, há mais de um ano. Já o lancei inclusive. - Ele comentou tomando um gole de café.
- Hum. Não sabia. - Ela sussurrou meio surpresa.
- O tempo que tu passou longe, parece que tu estava em outro planeta.
- Vai ver eu estava mesmo.
Mais silêncio.
- Foram tempos difíceis. - Ele começou. - E todos nós sabemos que ninguém sofreu mais do que...
- Não precisa. - Ela lhe interrompeu inquieta. - Tu não precisa falar nada.
- Eu sei que não preciso, mas eu quero. Posso? - Irritado.
Ela fez um sinal de positivo com a mão sem conseguir disfarçar o incomodo.
- Então. Foi terrivelmente difícil passar por aquilo tudo, mas está mais do que na hora de reajustar-se, de tentar superar o que aconteceu.
- Ah, por favor! - Ela exaltou-se. - Você nem estava lá, você se quer viu o que aconteceu! Não venha dizer que sabe de alguma coisa! - Levantou da poltrona
- Parece que cheguei na hora boa. - Uma voz com o quê de ironia. Ambos viraram-se para a porta surpresos e de imediato reconheceram quem falava.
- Seja bem-vindo meu velho amigo. - O anfitrião amistoso levantou-se para abraçar o novo visitante. Ela, agora escorada na estante de livros, fez um aceno leve com a cabeça cumprimentando-o.
- Compartilhem comigo esse momento de excitação. - O novo visitante disse sentando-se no sofá ao lado deles.
- Falávamos sobre o 'assunto impronunciável'. - O anfitrião falou voltando a sentar-se. - Café?
- Não, obrigado. Ah, suspeitei se tratar disto. - Sorriu de canto.
- Sente-se querida. Temos muito o que conversar.
Estava na hora, não podia atrasar-se. Vestiu o casaco e o cachecol e saiu porta a fora. Desceu a ladeira enquanto o vento lhe empurrava e em seu andar rápido não demorou a chegar no lugar marcado.
Chegou em frente a velha casa em estilo gótico e sem cerimônias foi entrando
- Olá? - Disse anunciando sua presença.
- Entra. Estou na sala. - Uma voz avisou ao longe.
Caminhou até a sala, fazendo aquele trajeto já tão conhecido.
- Oi querida. - Seu anfitrião levantou para lhe abraçar. - Sente-se
- Oi meu velho. - Abraçou-o e sentou na poltrona a sua frente.
- Como sempre ele está atrasado. Aceita um café enquanto espera? - Ofereceu apontando a bandeja em cima da mesa de centro.
- Não meu velho, acabei de tomar umas doses de conhaque. - Respondeu olhando para a sala em que estava.
Quantas lembranças tinha daquela sala, em cada canto, em cada metro quadrado daquela carpete verde escuro tinha um livro de histórias, infantis, juvenis e também proibidas para menores de idade. Nada havia mudado desde que podia lembrar, o vaso no criado mudo ao lado da grande poltrona ainda estava com a boca lascada, ainda podia se ver o pedaço queimado do tapete, as cortinas eram as mesmas, as almofadas, o cheiro, tudo.
- Então. Adianta-me o assunto que te fez convocar essa reuniãozinha de velhos amigos?
- O encontro de velhos amigos não é motivo o suficiente, querida?- Ele indagou com uma das sobrancelhas arqueadas.
- Nesse caso não, meu velho. - Ela falou inclinando-se pra frente em direção a ele. Pigarreou. - Eu posso fumar aqui?
- Ainda cultiva esse hábito terrível?
- É o que parece.
- Pode sim. - Ele falou suspirando.
Ela tirou do bolso uma carteira de cigarros e um isqueiro metálico e acendeu um cigarro. Ele lhe alcançou o cinzeiro.
Permaneceram em silêncio por longos minutos, sabiam que não era necessário nenhum tipo de conversa para preencher o tempo, a companhia um do outro era o suficiente.
- Tu terminaste teu livro? - Ela perguntou curiosa apagando o cigarro.
- Qual deles?
- Aquele, sobre a ditadura e essas coisas?
- Ah. Sim, terminei, há mais de um ano. Já o lancei inclusive. - Ele comentou tomando um gole de café.
- Hum. Não sabia. - Ela sussurrou meio surpresa.
- O tempo que tu passou longe, parece que tu estava em outro planeta.
- Vai ver eu estava mesmo.
Mais silêncio.
- Foram tempos difíceis. - Ele começou. - E todos nós sabemos que ninguém sofreu mais do que...
- Não precisa. - Ela lhe interrompeu inquieta. - Tu não precisa falar nada.
- Eu sei que não preciso, mas eu quero. Posso? - Irritado.
Ela fez um sinal de positivo com a mão sem conseguir disfarçar o incomodo.
- Então. Foi terrivelmente difícil passar por aquilo tudo, mas está mais do que na hora de reajustar-se, de tentar superar o que aconteceu.
- Ah, por favor! - Ela exaltou-se. - Você nem estava lá, você se quer viu o que aconteceu! Não venha dizer que sabe de alguma coisa! - Levantou da poltrona
- Parece que cheguei na hora boa. - Uma voz com o quê de ironia. Ambos viraram-se para a porta surpresos e de imediato reconheceram quem falava.
- Seja bem-vindo meu velho amigo. - O anfitrião amistoso levantou-se para abraçar o novo visitante. Ela, agora escorada na estante de livros, fez um aceno leve com a cabeça cumprimentando-o.
- Compartilhem comigo esse momento de excitação. - O novo visitante disse sentando-se no sofá ao lado deles.
- Falávamos sobre o 'assunto impronunciável'. - O anfitrião falou voltando a sentar-se. - Café?
- Não, obrigado. Ah, suspeitei se tratar disto. - Sorriu de canto.
- Sente-se querida. Temos muito o que conversar.
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