Olá Caro Amigo! Como está?
Estou lhe escrevendo da mesa de bar onde compartilhamos nossas experiências, histórias e vidas, durante todos esses anos. Ela continua a mesma, sua inicial ainda está talhada em um de seus pés. A cadeira em minha frente que está um tanto vazia, já que você não está sentado nela.
Preciso me desculpar, antes de tudo. Você sabe que nunca fui bom com as palavras, e estar lhe escrevendo uma carta é de uma audácia inexplicável de minha parte. Mas você merece minha audácia, amigo.
Pedi o mesmo vinho que sempre pedíamos, aquela obra prima chilena. Dispensei os charutos hoje, estou resfriado, devido a um banho de chuva no final da tarde de ontem, enquanto corria para não chegar atrasado a um jantar. Aliás, você teria adorado aquele jantar,  Helen estava radiante ,e mal acompanhada, mas sua elegância faz tudo parecer pequeno. Olha eu aqui falando sobre sua antiga paixão, essa velha mania de falar sobre ela, adquirida de você.
Ah, lembra-te daquela garçonete que trabalhava aqui a tarde? Pois é, sinto lhe informar que foi demitida. Em seu lugar está um rapaz, bem afeiçoado e educado, mas que precisa aprender muito sobre vinhos ainda.
Estou finalmente terminando de ler aquele livro do Leminski que me emprestaste. E bom, você já sabe o que penso sobre Leminski não é? Não precisamos mais discuti-lo.
Então amigo, por hora é só. Volto a escrever-lhe. Aguardo seu retorno.
Abraço, de seu Amigo.

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