Ele abriu a porta e esbarrou no silêncio que se espalhava por toda casa. Parou como se tivesse dado de cara em uma coisa sólida, quase pode sentir dor e pensou em fazer meia volta e nunca mais entrar ali. Aquela casa era ela, aquela casa tinha ela em cada metro quadrado, ele podia sentir seu cheiro, podia ouvir seus sussurros baixos em meio ao silêncio total.
Atreveu-se sala a dentro, jogou os sapatos em um canto, atirou a camiseta em cima do sofá e passou direto para o quarto, mirou o alvo e atirou-se na cama de olhos fechados. Fim, pensou ele, já era.
Quando aterrizou na cama, aterrizou em cima de um papel que não deveria estar ali. Catou o papel embaixo de si e sem muita vontade tratou de ler o que ele dizia. Na primeira palavra congelou e devorou todas as restantes.

Pensa comigo, querido. 
Eu nem sei por que estava aqui todo esse tempo, nem você sabe. Eu te amo, é claro, e você também me ama, é visto. Mas vamos esclarecer as coisas, não há porquê. Se continuássemos eu dividiria com você o sobrenome Infelicidade e você, obviamente não o merece.
Eu tenho tentado não pensar muito, a bebida ajuda um pouco, os amigos ajudam muito. Eu tenho tentado organizar, tenta organizar também, nada pode dar mais errado do que já deu, não tem como.
Eu não me despeço, não me despeço de forma alguma. Tu tens meu coração, fica com ele, eu tô indo.

Deu. Ele pensou. Agora deu.


P.s. O texto é fictício, obviamente. 

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